sexta-feira, 22 de julho de 2016

4 anos do blog

Neste quarto aniversário do blog quero apenas pedir desculpas a vocês leitores pelo quase completo abandono do site.

A vida humana é mutável. Dessa forma, prioridades, gostos, prazeres e anseios também mudam com o tempo. E este que vos escreve é humano. E vivo, obviamente.

Comemoremos mesmo assim. Estou orgulhoso do que fiz até aqui.
Mas para o bem ou para o mal, continuarei postando resenhas de vez em quando.

Obrigado por cada instante gasto lendo meus escritos.

Att;
Flávio de Lima

sábado, 16 de julho de 2016

South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes (South Park: Bigger, Longer & Uncut) - 1999; animação adulta

South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes (South Park: Bigger, Longer & Uncut), lançado em 1999.
Um filme de Trey Parker.

De longe a animação adulta mainstream mais polêmica de todas, South Park conquistou rapidamente o público e o espaço na TV norte-americana e depois outros países. O sucesso imediato permitiu que um longa fosse lançado pouco tempo depois da estreia da série.



Depois de assistirem um filme canadense cheio de palavrões, os garotos Kyle, Stan, Kenny e Cartman começam a xingar descontroladamente, o que cria um levante público dos adultos (hipócritas) contra o Canadá. Enquanto isso, Kenny morre e descobre que Satã é namorado de Saddam Hussein no inferno, onde se prepara para uma invasão ao mundo dos vivos.



Sou fã da série, confesso. Mesmo assim tente levar estas poucas linhas a sério e não deixe de conhecer esta animação para adultos que divide opiniões. O traço simples, inspirado em montagem de recortes (isso fica mais evidente no personagem de Saddam - uma foto real do ditador é usada em cima de um corpo tosco e geométrico - e também nos canadenses, todos mais feios, toscos e mal produzidos que os personagens americanos) dá uma atmosfera um pouco trash que se une a piadas escatológicas e outros tipos de humor sujo. Mesmo com essas características pouco promissoras, o filme é otimo e inteligente. Sátiras e alfinetadas na sociedade jorram da tela.



A animação consegue ser entretenimento pipoca e ao mesmo tempo denunciar/escancarar toda a hipocrisia da sociedade estadunidense. Como já denunciado em diversos filmes, a exemplo do documentário Este filme ainda não foi classificado, muito se censura o sexo (especialmente se não heterossexual) e palavrões e pouco censurada é a violência. Alfineta também a belicosidade daquele país: no filme em vez de diálogo parte-se logo para uma guerra. Religião, racismo entre outros temas são discutidos (e principalmente satirizados) neste longa.

Super recomendo uma visita.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

A Era da Inocência (L'Âge des ténèbres) - 2007; encara tu a realidade

A Era da Inocência (L'Âge des ténèbres), lançado em 2007.
Um filme de Denys Arcand.

Mais um de Arcand, premiado cineasta canadense. Assim como outras obras suas, A era da inocência é uma comédia-dramática sobre as contradições da vida humana.

Jean-Marc, homem de meia idade, é infeliz no casamento, tem péssima relação com as filhas, uma mãe com Alzheimer, e um emprego burocrático de merda. Para fugir de si mesmo, vive a sonhar que é outras pessoas com outras vidas.

Numa conversa recente com um amigo psicólogo, ele me disse que a geração a que pertencemos foge de si mesma "drogando-se" com tecnologia, academia e aparências. Respondi que toda geração fugiu de si mesma com os instrumentos que tinham a disposição na época: cigarro, ópio, excesso de trabalho, execução em praça pública. Personagens de O declínio do império americano, outro famoso filme de Arcand, fugiam através de ideologias políticas e sexo. Jean-Marc foge com alucinações.

Atual, o filme aponta os males da nossa geração e uma visão do Canadá contemporâneo. Aquela que é uma das terras mais pacíficas e humanamente desenvolvidas do planeta é também uma terra onde imensos prédios governamentais estão cheios de funcionários atendem as pessoas com rapidez, mas que não resolvem seus problemas ou porque não querem ou porque não podem. Uma terra onde mesmo em lugares abertos, pode ser proibido fumar (gentinha quase tão falsa moralista quanto os insuperáveis estadunidenses). Uma terra com alta taxa de suicídios. Uma terra onde não se desgruda do telefone. Uma terra cheia de cosplays e outras pessoas que fogem da realidade em mundos imaginários.



Além desse ambiente, Jean-Marc tem a mãe que já está moribunda, filhas que não o consideram como pai e que não desgrudam um segundo dos tablets e smartphones, uma mulher muito mais bem sucedida que ele e que manda na casa. Ou seja, ele ainda sofre do orgulho de macho ferido, cuja masculinidade é afrontada pela esposa. Seu método de fuga poderia ser também o álcool ou uma rede social. Mas ele fantasia, sonha, masturba-se.

Este filme fecha a trilogia formada também por O declínio e "As invasões bárbaras". Mais obscuro e menos engraçado que os outros dois, é também o mais sarcástico. Mas dos três é o que menos gostei.